A adultização é um fenômeno em
ascensão, que acontece quando crianças são incentivadas, intencionalmente ou
não, a adotarem preocupações,
responsabilidades e até mesmo comportamentos adultos. Esse processo pode ser
sutil, manifestando-se na forma como elas se vestem, nos brinquedos, no que
consomem, sem contar quando assumem atividades completamente incompatíveis com
a infância, qual seja a de influenciadores digitais. Sem dúvida, por detrás da
glamourização, há uma exploração comercial, que empurra a criança à fase
adulta. Os reflexos – negativos, a todo ver – serão colhidos muito antes do que
as famílias imaginam. Muitas vezes, os
apelos da mídia e da indústria da moda impulsionam essa tendência, criando uma
imagem de que ser "adulto" é sinônimo de ser atraente ou
bem-sucedido. As redes sociais também desempenham um papel significativo, pois
as crianças observam e, em grande medida, imitam os comportamentos dos
influenciadores que, apesar de jovens, exibem uma vida adulta bem-sucedida. Os
riscos e as consequências da adultização são diversos, entre os quais a
ansiedade, a depressão e a baixa autoestima. Isso ocorre porque elas podem
sentir-se pressionadas a atenderem a expectativas que estão além de suas
capacidades emocionais e cognitivas. A pressão para se comportar de maneira
adulta pode privá-las da oportunidade de viverem uma infância plena, o que é
essencial para um desenvolvimento saudável. (...) (...) Seleção e vigilância à programação
e aos sites a que crianças têm acesso são o primeiro passo para evitar-se a
adultização.
Gislaine Buosi, advogada e educadora.
Texto III
Vivemos uma era em
que a infância passou a ser explorada como ativo de mercado nas mídias sociais.
Imagens, rotinas e até emoções infantis são transformadas em conteúdo,
alimentando algoritmos de empresas que lucram com a exposição precoce. Esse
fenômeno, muitas vezes disfarçado de entretenimento ou oportunidade de
negócios, mascara um cenário preocupante: a mercantilização da vida de crianças
e adolescentes, que são privadas de sua intimidade, inocência e segurança.
Casos recentes expostos por criadores de conteúdo e repercutidos pela mídia
mostram que essa prática não é exceção, mas parte de um ciclo cada vez mais
naturalizado e perigosamente aceito pela sociedade. A infância está sendo
vendida e vidas são traumatizadas em troca de likes, enquanto corpos infantis
são sexualizados nas redes sociais.
Até quando as
plataformas digitais vão permitir que usuários, sejam eles pais, tutores ou
menores emancipados, utilizem seus espaços para a produção e divulgação de
conteúdos que exploram comercialmente a imagem e a vida dessas crianças? Esse
cenário expõe uma grave falha ética e social: a mercantilização da infância em
nome do entretenimento e do lucro, que transforma o que deveria ser protegido
em produto descartável. Dados recentes confirmam essa urgência: em 2025, a
Justiça do Trabalho de São Paulo proibiu que Instagram e Facebook permitam que
crianças atuem como influenciadoras sem autorização judicial, sob pena de multa
de R$ 50 mil por dia (Veja); o Congresso aprovou o PL 2628/2022, criando um
marco regulatório para proteção digital da infância (Access Partnership); e
novos projetos (PL 4062/2025 e PL 4065/2025) buscam criminalizar a adultização
e impor deveres claros às plataformas. Esses dados revelam que a sociedade já
reconhece a gravidade da exploração digital de crianças e pressiona plataformas
e famílias a assumirem responsabilidade imediata para que infâncias não
continuem sendo roubadas diante do público.
FERES, Neemias. Disponível em: https://blogfca.pucminas.br/ccm/quando-a-infancia-e-transformada-em-produto-a-denuncia-ao-espetaculo-cruel-das-redes-sociais/.
Acesso em 8 set.2026.
PROPOSTA DE REDAÇÃO:
A partir do
material de apoio e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua
formação, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: “A
exploração comercial da imagem infantil e seu papel na adultização nas redes
sociais brasileiras”. Apresente proposta de
intervenção social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
relacione, de maneira coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu
ponto de vista.