Desde a infância até a vida adulta, diversas
regiões do cérebro humano seguem se desenvolvendo e amadurecendo em função de
estímulos internos e influências externas. Esse processo de crescimento e
desenvolvimento cerebral e mental apresenta características que tornam a
criança e o adolescente mais vulneráveis. Por isso, há a necessidade da
mediação de adultos, como familiares e educadores, nas rotinas de crianças e
adolescentes, na condição de responsáveis por tais pessoas até os seus 18 anos.
Hoje, a
neurociência tem fortes evidências de que o cérebro do adolescente não equivale
a um cérebro adulto, sendo um órgão ainda em desenvolvimento e que passa por um
intenso processo de reprogramação a partir da puberdade. Áreas do cérebro
ligadas às emoções intensificam o seu desenvolvimento, enquanto outras regiões,
como o córtex pré-frontal, ligadas ao autocontrole e à contenção de impulsos, só
atingem a maturidade completa por volta dos 25 anos.
Isso torna os
adolescentes curiosos com o mundo externo (e mais propensos a correr riscos),
mas também permite que se adaptem mais facilmente ao seu ambiente — daí uma das
origens da curiosidade e da atração por jogos digitais online, desafios
virtuais e redes sociais.
Já as crianças,
especialmente as mais novas, encontram-se em um momento de intenso
desenvolvimento cerebral, construindo habilidades que servirão de base para
capacidades futuras. A interação entre as crianças e as pessoas que exercem
cuidados sobre elas pode ter reflexos sobre todo o seu ciclo de vida. A
qualidade da interação entre pessoas cuidadoras e bebês ou crianças é um dos
mais importantes e duradouros elementos relacionados ao desenvolvimento
infantil, associando-se com os domínios socioemocional, cognitivo e de
linguagem.
Veja a matéria completa em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/capitulos/contextos-de-uso-de-telas-e-dispositivos-digitais-por-criancas-e-adolescentes.
Trecho selecionado. Acesso em 22 out.2026.
Texto III
Muito embora a
internet amplie o acesso a diferentes manifestações culturais, o uso pouco
diversificado das plataformas pode limitar o contato com obras, ideias e
perspectivas distintas. Esse cenário merece atenção diante dos dados da
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, realizada pelo Cetic.br/NIC.br: 80% dos
usuários de internet de 9 a 17 anos assistiam a vídeos de influenciadores
digitais, e 46% realizavam essa atividade várias vezes ao dia. Os números
revelam a presença expressiva desse tipo de conteúdo na rotina infantojuvenil,
embora não permitam concluir que ele cause, necessariamente, prejuízos
culturais. O risco está na possibilidade de o consumo repetitivo ocupar o
espaço de experiências que favorecem a reflexão, a criatividade e a ampliação
do repertório. Além disso, a preferência por conteúdos semelhantes pode reduzir
as oportunidades de conhecer outras linguagens artísticas e realidades sociais.
Nesse contexto, a escola e a família têm papel importante no incentivo a
hábitos digitais equilibrados e ao acesso diversificado à cultura, para que a
tecnologia amplie horizontes, em vez de restringi-los.
Por Gislaine Buosi,
educadora e advogada.
- Fonte dos dados:
Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Pesquisa sobre o uso da Internet
por crianças e adolescentes no Brasil: TIC Kids Online Brasil 2025. São Paulo:
CGI.br, 2026.
- Fonte
complementar: UNESCO. Technology in education: A tool on our terms! — 2024
Youth Report.
(Acesso em 22
out.2026.)
PROPOSTA DE
REDAÇÃO: A partir do material de apoio e com base nos conhecimentos construídos ao
longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema:
“Os riscos do consumo excessivo de entretenimento digital para a formação
cultural dos jovens brasileiros”.Apresente proposta de intervenção
social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de
maneira coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.