Plataforma Redigir

Blog Redigir

Tecnologia na educação: o que realmente transforma a escola e o que é só modismo

Tecnologia na educação já passou por lousas eletrônicas, tablets, celulares e agora inteligência artificial. Mas o que de fato ficou?

Tecnologia na educação: o que realmente transforma a escola e o que é só modismo
Voltar para o blog

Tecnologia na educação já passou por lousas eletrônicas, tablets, celulares e agora inteligência artificial. Mas o que de fato ficou? Adriano Guimarães, CEO do Prova FácilDelinea Edtech, e a equipe Redigir debatem 20 anos de inovação — e o que o gestor escolar precisa entender sobre esse caminho.

Tecnologia e educação: passado, presente e futuro. Rodrigo Simões, Lucca Carvalho e Adriano Guimarães (CEO do Prova Fácil e da Delinea) debatem 20 anos de tecnologia educacional e o papel da inteligência artificial na escola.

A tecnologia na educação é um tema que nunca sai da pauta — e que nunca para de gerar promessas. Nos últimos 20 anos, a escola foi convidada a adotar lousas eletrônicas, projetores, tablets, cadeiras com touchscreen, celulares e, agora, inteligência artificial. Cada novidade chegou sendo anunciada como a revolução definitiva. E o que sobrou de tudo isso?

É essa a pergunta que Adriano Guimarães, CEO do Prova Fácil e da Delinea, com mais de 20 anos de experiência em educação e tecnologia, responde neste episódio do Aula Magna Redigir. A conversa percorre o passado, o presente e o futuro da tecnologia na sala de aula — e chega a uma conclusão que deveria orientar qualquer decisão de gestão escolar: tecnologia só serve se resolver um problema real e se der autonomia a quem a usa.

 

Tecnologia na educação: os três grandes ciclos dos últimos 20 anos

Para entender onde a tecnologia na educação está hoje, é preciso saber de onde ela veio. Adriano descreve três fases bem definidas, observadas ao longo de visitas a eventos de Educação.

 

Fase 1: o tempo do hardware — tecnologia na educação como objeto

Há cerca de 20 anos, o ápice da tecnologia na educação era físico: lousas eletrônicas e projetores de vídeo. Estandes inteiros de uma das maiores feiras do setor no mundo eram dedicados a esses equipamentos. A ideia central era simples — substituir o quadro negro por algo mais moderno. Em seguida, veio um projetor capaz de exibir imagens no chão e reagir ao toque dos alunos. Dar um tablet para um aluno era considerado uma revolução. O hardware era a tecnologia.

O problema é que o hardware, sozinho, não muda o aprendizado. Uma lousa eletrônica continua sendo uma lousa. Um tablet sem propósito pedagógico claro é apenas uma tela a mais na sala. A tecnologia entrava pela porta da frente, mas o modelo de ensino continuava o mesmo.

 

Fase 2: a virada para o software — tecnologia na educação como sistema

Com o tempo, o setor percebeu que hardware sem software não resolve nada. Os estandes de lousas eletrônicas foram sendo substituídos por estandes de empresas de software educacional. A conversa mudou: o que importa não é o aparelho, mas o que ele permite fazer. Plataformas de gestão, sistemas de avaliação, ambientes virtuais de aprendizagem — a tecnologia passou a ser tratada como processo, não como objeto.

Essa transição foi importante, mas trouxe um novo desafio: de que adianta ter o melhor software se o professor não sabe usá-lo, tem medo de usá-lo ou simplesmente não vê nele a solução para os seus problemas reais? A ferramenta sem o usuário capacitado e confiante é inerte — como um estojo de ferramentas nas mãos de alguém que nunca aprendeu a usá-las.

 

Fase 3: inteligência artificial — tecnologia na educação como autonomia

Hoje, a inteligência artificial domina todas as conversas sobre tecnologia na educação. Qualquer produto, qualquer serviço, qualquer feira do setor fala em IA. Mas Adriano Guimarães faz uma distinção importante: a IA não é uma ruptura com as fases anteriores — ela é a continuação da mesma busca. O que muda é o potencial de personalização e de escala.

A pergunta certa não é “qual tecnologia usar?”, mas “essa tecnologia resolve um problema real de quem ensina ou de quem aprende?” Se a resposta for sim, e se ela der mais autonomia a professores e alunos, ela tem valor. Se não, é mais uma moda que vai passar.

 

“A tecnologia não deveria existir se não fosse para dar autonomia para alguém ou para resolver algum problema que alguém tem.”
 

O celular na escola: tecnologia na educação que divide opiniões

O debate sobre proibir ou não o celular na escola é um dos mais acalorados da educação hoje. E, segundo a conversa do episódio, talvez seja também o debate errado. O celular em si não é o problema. O problema é o que está instalado nele.

Lucca Carvalho, diretor de pesquisa e inovação da Redigir, coloca o ponto com precisão: os melhores cérebros da humanidade, com orçamentos de trilhões de dólares, foram colocados para desenvolver softwares que disputam cada segundo da atenção do usuário. Esses softwares chegam às mãos de crianças que deveriam estar prestando atenção em algo que, por definição, compete com esse estímulo constante. A assimetria é enorme.

Tirar o celular do aluno não resolve o problema de fundo. Mas entregá-lo sem nenhuma orientação sobre como usá-lo como ferramenta de aprendizado também não. O caminho, como aponta Adriano, é ensinar o aluno a usar a tecnologia para exercer sua autonomia de aprendizagem — e não apenas para consumir conteúdo.

 

Inteligência artificial na escola: o que a Redigir está desenvolvendo

A Redigir está integrando inteligência artificial à sua metodologia de formas concretas e específicas — não como tendência, mas como resposta a problemas reais identificados ao longo de dez anos de atuação em centenas de escolas brasileiras.

Uma das frentes é o desenvolvimento de um tutor com IA conectado ao histórico completo de avaliações do aluno. Diferente de um chatbot genérico, esse tutor conhece quem é o aluno — seus desvios recorrentes, os exercícios que já fez, os temas com que mais teve dificuldade. O diálogo parte desse conhecimento específico, não de um prompt em branco.

Outra frente é voltada ao professor: uma IA capaz de sugerir intervenções pedagógicas a partir dos dados de desempenho das turmas, disponíveis dentro da plataforma. O objetivo não é que a IA acerte sempre — é que ela estimule o professor a pensar sobre o que precisa fazer. Se o professor discordar da sugestão e fizer o oposto, já foi um sucesso: o dado gerou reflexão, e a reflexão gerou ação.

 

“Se o professor disser que o que esse robô está me dizendo está errado e eu preciso fazer o contrário, já foi um sucesso — porque eu fiz o professor pensar.”

 

Essa lógica é coerente com o que Adriano Guimarães defende para a tecnologia em geral: ela deve ampliar a autonomia do professor, não substituí-lo. O professor conhece o contexto da escola, conhece os alunos, conhece as nuances que nenhum sistema vai capturar. A IA, nesse modelo, é um copiloto — não um piloto automático.

 

O que o gestor escolar precisa entender sobre tecnologia na educação

Para o diretor ou coordenador que precisa tomar decisões sobre quais tecnologias adotar, o episódio deixa alguns pontos fundamentais.

O primeiro é que nenhuma tecnologia transforma a escola por si só. A transformação depende de professores que entendam a ferramenta, confiem nela e a utilizem com um propósito pedagógico claro. Antes de adotar qualquer tecnologia, a pergunta certa é: qual problema ela resolve para o meu professor? Qual problema ela resolve para o meu aluno?

O segundo é que o modelo híbrido — combinando o que há de melhor no ensino tradicional com o que a tecnologia tem a oferecer — tende a ser mais robusto do que qualquer aposta radical em uma única direção. Abolir cadernos e livros em favor de tablets foi um experimento que não deu certo. Ignorar completamente as possibilidades da tecnologia também não é o caminho.

O terceiro é que a autonomia é o critério mais confiável para avaliar uma tecnologia educacional. Se ela torna o professor mais autônomo para tomar decisões pedagógicas com base em dados, e o aluno mais autônomo para identificar e trabalhar suas próprias dificuldades, ela tem valor real. 

 

Veja como a Redigir usa tecnologia para dar autonomia à sua escola

Aplique um simulado diagnóstico gratuito para até 30 alunos e receba um relatório detalhado com os principais desvios de aprendizagem das suas turmas.

QUERO APLICAR O SIMULADO