Quanto
mais polícia, mais mortes e violência nas periferias
A situação em
Estados como Alagoas, Amazonas e Ceará, que apresentam taxas de policiais por
habitante mais elevadas do que a média nacional e altos índices de mortes
violentas, reforçam essa avaliação.
23 de Outubro de
2024
Vem se destacando
nos últimos anos o avanço de poder político das corporações policiais, com
ganho de espaço nos orçamentos estaduais e entrada de egressos das polícias nos
parlamentos e no poder executivo, ao mesmo tempo em que crescem os índices de
letalidade policial nas periferias e favelas e se acentua o caráter racista da
violência do Estado. Um relatório de2023, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que
pessoas negras no Brasil estão 3,8 vezes mais propensas a serem vitimadas pela violência
decorrente de intervenções policiais do que pessoas brancas. Nesse mesmo ano
foram registradas 6.393 mortes por intervenção policial, cujas vítimas, em sua
esmagadora maioria (mais precisamente 82,7%), eram negras. Dentre essas vítimas
totais, 71,7% tinham entre 12 e 29 anos e praticamente a totalidade (99,3%)
eram homens, demarcando assim os jovens negros como o perfil inequívoco dos
atingidos por violência policial letal no Brasil.
Disponível
em: https://jornalofuturo.com.br/artigo/u1Q4jc-quanto-mais-policia-mais-mortes-e-violencia-nas-periferias/.
Acesso em 6 abr.2026.
Texto
II
A redução da
violência nas periferias brasileiras exige enfrentar não só a criminalidade, como
também o despreparo de parte dos agentes de segurança – tudo isso compromete a
confiança da população nas instituições públicas. Nesse sentido, é fundamental
investir na formação continuada, com ênfase em direitos humanos, na mediação de
conflitos e na atuação comunitária, a fim de tornar a ação policial mais
eficiente e menos violenta. Além disso, políticas públicas devem priorizar a
integração entre segurança, educação e assistência social, reconhecendo que a
violência é um fenômeno complexo e multifatorial. A valorização profissional,
com melhores condições de trabalho e acompanhamento psicológico, também
contribui para uma atuação mais equilibrada dos agentes. Paralelamente, a
experiência de países de primeiro mundo nos dá conta de que programas de
policiamento comunitário fortalecem o diálogo entre moradores e autoridades, o
que reduz tensões e prevenindo conflitos. Por fim, é indispensável ampliar
oportunidades nas periferias, por meio de acesso à educação, cultura e emprego,
a fim de atacar as raízes sociais da violência e promover a cidadania.
Por Gislaine Buosi, escritora e educadora, parceira da Redigir.