A saúde pública
brasileira tem um desafio que vai além de oferecer atendimento médico. É
preciso garantir que pessoas de diferentes regiões e condições sociais tenham
acesso aos cuidados de que necessitam. O Sistema Único de Saúde (SUS) tornou a
saúde um direito de todos, mas transformar esse princípio em realidade exige
enfrentar desigualdades históricas. Em um país de dimensões continentais, a
distribuição de profissionais, serviços e recursos ainda é desigual. Também
fazem parte desse desafio a prevenção de doenças, a vacinação e o
acompanhamento contínuo da população. Questões como saneamento, alimentação,
moradia, educação e condições de trabalho influenciam diretamente a saúde das
pessoas. Por isso, cuidar da saúde pública significa também olhar para as
condições em que a população vive. Garantir esse direito exige planejamento,
investimento e políticas capazes de considerar as diferentes necessidades do
país.
Por Gislaine Buosi, advogada e educadora
Texto
II
No Brasil, o gasto com
saúde como percentual do Produto Interno Bruto (PIB) é compatível com o dos
países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) 1,
mas predomina o financiamento privado. Embora o país tenha um sistema universal
(Sistema Único de Saúde - SUS), o gasto público representava, em 2019, apenas
41% do total (incluindo gastos com assistência não SUS a servidores, com
participação dos três entes federados), sendo o restante composto por
pré-pagamento de planos e seguros voluntários (31%) e desembolso direto (28%)
2. Há, portanto, uma presença destacada de planos de saúde, estimulada por
políticas públicas que se conectam com um grande setor privado prestador de
serviços.
A expansão das políticas
de saúde dos países tende a acompanhar o crescimento econômico, declinar em
momentos de crise econômica e recessão, especialmente devido a medidas de
austeridade fiscal 3, adotadas justamente quando famílias são atingidas pela
queda do poder aquisitivo e outros fatores sociais que provocam aumento das
necessidades de saúde e demanda por serviços públicos, além de reforçar a
privatização e a mercantilização da saúde 4,5.
A resposta de muitos
governos aos efeitos da crise trouxe a austeridade de volta ao primeiro plano
nas discussões sobre política econômica. Entre a possibilidade de redução do
déficit pelo aumento dos impostos ou pelo corte de gastos, a segunda opção foi
predominante e recaiu essencialmente sobre o gasto social 6.
Referências
1 Organisation for
Economic Co-operation and Development. OECD.Stat: health care resources.
https://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=HEALTH_REAC (acessado em
01/Abr/2019). »
https://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=HEALTH_REAC
2 Ministério da Saúde.
Contas de saúde na perspectiva da contabilidade internacional: conta SHA para o
Brasil, 2015 a 2019. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; 2022.
3 Levcovitz E, Couto MHC.
Sistemas de saúde na América Latina no século XXI. In: Santana JP, Padilla M,
Nogueira RP, Rodrigues VA, organizadores. Observatório internacional de
capacidades humanas, desenvolvimento e políticas públicas: tendências recentes
das políticas sociais na América Latina: estudos e análises. Brasília:
Organização Pan-Americana da Saúde; 2018. p. 99-118.
4 Kondilis E,
Giannakopoulos S, Gavana M, Ierodiakonou I, Waitzkin H, Benos A. Economic
crisis, restrictive policies, and the population’s health and health care: the
Greek case. Am J Public Health 2013; 103:973-80.
5 Teixeira CFS, Paim JS.
A crise mundial de 2008 e o golpe do capital na política de saúde no Brasil.
Saúde Debate 2018; 42(n.spe 2):11-21.
6 Stuckler D, Reevers A,
Loopstra R, Karanikolos M, McKee M. Austerity and health: the impact in the UK
and Europe. Eur J Public Health 2017; 27 Suppl 4:18-21.
Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/3vpqJkVYbsh8PB9KNvcyqjd/?lang=pt&utm_source=chatgpt.com.
Acesso em 28 set.2026. Trecho selecionado.
PROPOSTA DE REDAÇÃO: A partir da leitura dos textos
motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua
formação, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: “Os
desafios da saúde pública no Brasil”. Apresente proposta de intervenção,
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.