Por mais terríveis que
tenham sido as manchetes sobre o clima em 2026 — de geleiras derretendo a
incêndios florestais históricos e ondas de calor mortais —, há um fato ainda
mais preocupante: existe uma grande chance de este ser o ano mais fresco do
restante da sua vida. [...] Os cientistas dizem que o próximo ano,
especialmente com o fenômeno climático El Niño, levará o planeta a atingir
níveis muito acima dos que especialistas apontam como perigosos pontos de
inflexão da crise climática. Em meio a tudo isso, pode ser difícil saber a quem
recorrer em busca de ajuda e de soluções: governos ao redor do mundo — e especialmente
em países dependentes do petróleo, como os Estados Unidos — parecem estar
piorando as coisas em vez de melhorá-las. Escolhas individuais podem parecer
insignificantes diante da dimensão do problema.Existe, porém, uma solução muitas vezes negligenciada para o problema
climático: o jornalismo. Entender o que está acontecendo, o que está causando
isso e quem é responsável (e não se engane: definitivamente há vilões nesta
história) é um requisito necessário para resolver o problema climático. Ignorar
o assunto não faz a ciência, nem a realidade, desaparecerem. Nossa organização
sem fins lucrativos passou os últimos sete anos estudando como a imprensa ao
redor do mundo cobre as mudanças climáticas e ajudando veículos de comunicação
a se conectarem melhor com seu público ao tratar do tema.
E aqui está a boa
notícia: o público está interessado. Estudos revisados por pares mostram que,
em média, 89% das pessoas no planeta não apenas se preocupam com a crise
climática como também querem que seus governos trabalhem para resolvê-la. O
problema é que muitas dessas pessoas não sabem que fazem parte de uma
esmagadora maioria preocupada com o clima; acham que estão isoladas, à margem.
Também não sabem que seus vizinhos muitas vezes pensam como e, o que é mais
importante, não votam como se fizessem parte da solução. É aí que entra o
jornalismo. Nos últimos dois anos, dezenas de repórteres ao redor do mundo vêm
trabalhando para contar a história dos 89% em suas comunidades, traçando seus
perfis e dando voz a essas pessoas. O jornalismo tem potencial para ajudar o
público a avançar no enfrentamento das mudanças climáticas. Ao rejeitar a
narrativa de que as pessoas não se importam e identificar o que é necessário
para resolver o problema com urgência —nas urnas, nas ruas, na casa das pessoas
—, os veículos de comunicação têm a oportunidade e o dever de se unir a seus
públicos para enfrentar a questão mais urgente de nossas vidas. Essa conexão
não apenas ajudará a enfrentar o problema climático, como também contribuirá
para reduzir a falta de confiança que aflige o jornalismo. As pessoas apoiam
veículos de comunicação que cobrem aquilo que lhes importa.
Mas não será fácil… Durante
décadas, a indústria de combustíveis fósseis [...] vem investindo centenas de
milhões de dólares em campanhas destinadas a enganar o público sobre os perigos
da queima de combustíveis fósseis. Essas empresas financiaram campanhas de
desinformação destinadas a minar a ciência climática e procuraram enfraquecer a
confiança no jornalismo que cobre o problema com precisão. A ascensão das redes
sociais resultou em um esforço direcionado e coordenado para inundar os
consumidores com mentiras sobre o clima. [...] O jornalismo tem a oportunidade
de corrigir esse erro — noticiando de maneira factual e urgente a crise que
enfrentamos. E os consumidores — todos nós, os 89% — podem aproveitar essa
oportunidade para redescobrir o valor de uma imprensa independente, valorizando
as pessoas que dizem a verdade sobre a crise que coloca todos nós em risco.
Kyle Pope, Cofundador e diretor executivo de
iniciativas estratégicas da Covering Climate Now. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/3vpqJkVYbsh8PB9KNvcyqjd/?lang=pt&utm_source=chatgpt.com.
Acesso em 28 set.2026. Trecho selecionado, com ajustes.
PROPOSTA DE REDAÇÃO: A partir da leitura dos
textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: “O
papel da mídia no combate à crise climática”. Apresente proposta de
intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione,
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de
vista.