IMPACTOS DA IA NO CONHECIMENTO – MODELO ENEM – ID: NMG
Texto
I
A Inteligência
Artificial é o campo da ciência da computação que desenvolve sistemas capazes
de realizar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana. Isso inclui
aprender com experiências, compreender linguagem natural, reconhecer padrões,
tomar decisões e resolver problemas complexos. A ideia central da IA é criar
máquinas que pensem, aprendam e reajam de forma semelhante às pessoas. Para
isso, a tecnologia combina algoritmos avançados, grandes volumes de dados e
alto poder computacional para simular o raciocínio humano. Embora o termo tenha
ganhado popularidade recentemente, ele existe desde a década de 1950, quando o
pesquisador Alan Turing levantou a famosa questão: “As máquinas podem pensar?”.
Desde então, a IA evoluiu de simples cálculos lógicos para sistemas capazes de
aprender e se aperfeiçoar de maneira autônoma, como o ChatGPT e Gemini, os
assistentes virtuais e os robôs industriais inteligentes. [...] Na educação, a
IA está revolucionando o ensino com plataformas adaptativas que ajustam o
conteúdo conforme o ritmo de aprendizado de cada aluno. Também auxilia
instituições a analisar o desempenho acadêmico e a desenvolver estratégias para
reduzir a evasão escolar.
Estudantes que
utilizam assistentes virtuais, geradores de resumo e simulados personalizados
por inteligência artificial (IA) já são uma realidade. Uma pesquisa citada por
especialistas indica que sete em cada dez alunos do ensino médio usam a
ferramenta. Mas até que ponto essa tecnologia pode melhorar o desempenho e
quais os cuidados necessários para um uso ético e eficiente?
Em entrevista ao
g1, o professor Ademar Celedônio, especialista em ensino e inovações
educacionais, traçou um panorama da IA até o atual patamar das "IAs
generativas", que têm um "poder de transformação social muito
intenso".Celedônio compara o surgimento das IAs generativas,
a partir de 2022, a tecnologias transformadoras como o petróleo e a
eletricidade. O ChatGPT, por exemplo, atingiu 100 milhões de usuários em apenas
dois meses e atualmente conta com 700 milhões de usuários semanais, segundo o
professor. Essas ferramentas, explica o especialista, são treinadas escaneando
praticamente todo o conteúdo da internet e de livros. Por meio de comandos
(prompts), elas combinam palavras e conceitos com uma velocidade incomparável à
capacidade humana. No entanto, ele alerta para um risco inerente: a
"alucinação" da IA, que na verdade é um "erro algoritmo"
que pode levar a máquina a inventar informações.
Riscos
éticos e vícios: Celedônio alerta para os perigos dos vieses nos
algoritmos, que podem refletir preconceitos de seus criadores e produzir
respostas enviesadas sobre temas sociais complexos. A quebra de direitos
autorais no treinamento dessas IAs é outra grande questão em aberto. Outro
risco sério é o vício e a perda de capacidade cognitiva. O professor cita
estudos, inclusive do MIT, que mostram que alunos que usam o ChatGPT como
primeira fonte de estudo não conseguem absorver o conteúdo posteriormente. "Isso
já está acontecendo. Isso é uma coisa que a gente tem que alertar", diz.
Ele compara o processo à automatização de tarefas, como trocar a marcha de um
carro. "Naquela hora em que eu entrego a primeira escrita do meu texto
para a máquina, eu, de certa forma, estou automatizando isso e eu começo a
parar de pensar. Que é a história que é a grande palavra de apodrecer o
cérebro." Em 2024, o Dicionário Oxford elegeu "brain rot"
(cérebro podre, em inglês), como a palavra do ano. O termo se refere à
deterioração mental causada pelo excesso de conteúdos superficiais e pouco
desafiadores, como os de redes sociais.
Como definir
artefatos que não são humanos, nem completamente não humanos, dado que realizam
algumas funções associadas à inteligência humana? [...] Autores da área de
sociologia da ciência e tecnologia referem-se aos elementos inanimados que
participam do processo de produção de sistemas tecnológicos como “atores não
humanos”. Esse termo, entretanto, não caracteriza os “agentes inteligentes”. [...]
Pesquisadores da área, como Stamos Kaschke, Helmers & Hoffmann (1997),
chegam a defender a possibilidade de se considerar tais máquinas, ou artefatos
tecnológicos, como sendo, assim como os homens, “cidadãos da rede”, ou
“cidadãos do ciberespaço”.
Enquanto entramos
numa fase entusiasmada com os benefícios da IA, isso é impulsionado pelo acesso
acessível a processamento e memória, paradigmas emergentes como redes neurais
profundas e vastos dados disponíveis. No entanto, junto com o entusiasmo,
surgem preocupações legítimas. As perspectivas sobre o impacto variam,
incluindo o papel das plataformas digitais, a transformação do mercado de
trabalho e a digitalização dos negócios. A ética na IA se tornou uma necessidade
incontornável, e não apenas um debate intelectual, que aborda a autonomia
compartilhada, a privacidade, a segurança cibernética e os impactos
socioeconômicos. Diante desses desafios, a colaboração entre campos, governos e
organizações é essencial para estabelecer bases éticas sólidas e garantir que a
IA beneficie a humanidade de maneira justa.
Disponível
em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadaufmg/article/view/47727.
Acesso em 6 mai.2026.
PROPOSTA
DE REDAÇÃO: A partir da leitura dos textos motivadores
seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação,
redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: “Inteligência
Artificial: impactos e riscos na produção de conhecimento".
Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione,
organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa
de seu ponto de vista.