A cultura do consumo é aquela que, no processo de interpelação no
interior de uma sociedade de consumo, transforma indivíduos em consumidores.
Este processo é permeado por signos sociais que ultrapassam o ato de consumir,
pois, quando o indivíduo é interpelado em sujeito consumidor, toda uma vida
social baseada no consumo emerge como natureza, como destino implacável, como
realidade insuperável. [...]
Três apontamentos sobre a cultura do consumo: Inicialmente, Bauman
compreende que “estar à frente” é uma máxima importante na sociedade
consumidores, é um valor na cultura do consumo. À frente dos pares, daqueles
que estão participando do mesmo jogo social e cultural e, claro, demonstrar
essa vanguarda através de adereços visíveis. [...]
É necessário compreender que os emblemas visíveis do pertencimento ao
jogo social do consumo, as marcas visíveis do consumo, são perenes e tão logo
que saem de circulação, pedem uma forma específica de ato: é necessário estar
atento à circulação, aos novos signos sociais da distinção baseada no consumo,
pois estar à frente é estar na vanguarda eternamente e, assim, há um perigo na
ausência de uma atenção redobrada às modas passageiras. [...]
Este é o segundo apontamento de Bauman: qualquer conhecimento de moda
serve para uma adaptação rápida e usufruto ligeiro, de tal maneira que o
presente se mostra como o tempo liberado para ser “explorado em sua plenitude,
[liberado] dos tormentos do passado e do futuro, que podem ter impedido a
concentração e prejudicado a excitação da livre escolha.”* [...]
O terceiro apontamento do autor se refere à necessidade de escolher entre
um conjunto de emblemas sociais reconhecíveis para participar da vida em
sociedade. Necessidade de escolher, ou seja, a possibilidade da escolha não
está em discussão, na medida em que ela é pressuposta. Quando se desiste ou
evita realizar a escolha, corre-se o risco da exclusão, da estagnação.
* BAUMAN, Z. Cultura
consumista IN Vida para consumo, a transformação das pessoas em mercadoria. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar , 2008. Edição em ePub, s.p.
Juventude, consumo
e identidade: O consumo pode participar da construção da identidade, em especial, dos
jovens. Roupas, marcas, acessórios e outros produtos não atendem apenas a
necessidades práticas, mas também podem expressar gostos, preferências e
valores e contribuir para o sentimento de pertencimento a um grupo. Nesse
processo, as relações sociais influenciam escolhas e comportamentos. Falas,
vestuários, restaurantes podem aproximar pessoas com interesses semelhantes e,
em algumas situações, marcar diferenças entre grupos. Assim, consumir também
pode ser uma forma de comunicar como cada pessoa deseja ser percebida. As redes
sociais ampliaram essas influências. Criadores de conteúdo apresentam produtos,
estilos e comportamentos que podem interferir nas decisões de compra, enquanto
curtidas, comentários e compartilhamentos funcionam como formas de aprovação
social. A exposição constante a padrões de aparência e estilos de vida
idealizados pode, porém, gerar expectativas difíceis de alcançar. Por isso, é
importante desenvolver um olhar crítico para compreender que as imagens das
redes são selecionadas e nem sempre representam a realidade. Na Sociologia, o
consumo é também estudado como prática relacionada à identidade e às relações
sociais. Quando a valorização dos bens se torna excessiva, pode estimular a
busca contínua por novas compras e por reconhecimento. Refletir sobre essas
influências ajuda a compreender melhor as próprias escolhas.
Por Gislaine Buosi, advogada e educadora.
PROPOSTA
DE REDAÇÃO: A partir da leitura dos
textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: “A
influência dos padrões de consumo na construção da identidade dos jovens
brasileiros”. Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos
humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos
e fatos para defesa de seu ponto de vista.