JUVENTUDE E CONSCIÊNCIA
ELEITORAL – MODELO ENEM – PK1
Texto
I
Os
debates políticos das campanhas eleitorais, sobretudo em São Paulo, têm se
revelado um show de horrores. O professor e cientista político José Álvaro
Moisés atribui à falta de novas lideranças políticas a responsabilidade por boa
parte dessa situação, o que, por sua vez, tem contribuído também para afastar
os jovens da vida política da nação. “Por um lado”, argumenta o colunista, “o
sistema educacional que nós temos não prepara os jovens para entender a
significação do governo, a relação que o governo tem com os direitos deles, e é
uma coisa contraditória, porque a Constituição brasileira de 88 e os políticos
brasileiros deram o voto dos jovens a partir dos 16 anos, mas sem que isso
tenha sido seguido de um tipo de estrutura que, de alguma maneira, informasse
esses jovens o que é a democracia, qual o papel do Executivo, do Legislativo,
do Judiciário, de que maneira se articulam em relação aos direitos deles como
jovens que estão entrando na vida adulta e que vão ter o papel de cidadãos”.
Diante disso, boa parte dos jovens se vê sem nenhuma informação a respeito do
que acontece no meio político e, portanto, sem capacidade de se interessar.
Um
outro lado desse mesmo problema, aponta o colunista, está ligado às forças
políticas, que deveriam ser capazes de mobilizar não só os jovens como a
cidadania em geral. E essa incapacidade de se comunicar ele atribui aos
partidos, que se fecham em si mesmos e são “dirigidos por oligarquias que se
perpetuam – algumas vezes oligarquias de famílias, como nós sabemos” – e que
acabam dominando a estrutura dos partidos durante anos. As pessoas precisam
entender como funciona a democracia e sua complexidade, enfatiza o colunista, e
daí a importância, nesse contexto, da educação. “Além da questão da cognição,
você tem essa outra, que é da mobilização; mobilização, como nós sabemos, é
feita pelos atores políticos, não cabe à universidade, à escola, nem mesmo às
igrejas fazer mobilização, quem faz mobilização são as forças políticas e nós
não estamos vendo isso acontecer no Brasil”, conclui.
MOISÉS, José Álvaro. Disponível
em: https://jornal.usp.br/radio-usp/a-crise-da-democracia-se-reflete-tambem-na-falta-de-interesse-dos-jovens-pela-politica/.
Acesso em 30 set.2026.
Texto
II
A
formação da consciência eleitoral entre os jovens brasileiros envolve desafios
que vão além do comparecimento às urnas. Nas Eleições 2026, cerca de 1,6 milhão
de brasileiros de 16 e 17 anos estão aptos a votar, embora o voto seja
facultativo nessa faixa etária. Em 2024, aproximadamente 90% dos eleitores de
16 e 17 anos compareceram ao primeiro turno das eleições municipais; em 2022, a
participação havia sido de cerca de 83%. Ao mesmo tempo, a participação dos
jovens de 16 a 24 anos no eleitorado vem diminuindo: eles representavam 18,2%
do eleitorado em 2010, percentual que caiu para 12,5% em 2026, segundo dados do
Tribunal Superior Eleitoral. Nesse contexto, a educação para a cidadania
precisa contribuir para que o jovem compreenda o funcionamento das instituições
democráticas, avalie criticamente informações e propostas e reconheça a
dimensão coletiva de sua participação política. Sem conhecimentos e
instrumentos para analisar diferentes posições, ele pode ficar mais suscetível
à desinformação, à pressão de grupos e à reprodução de opiniões predominantes,
tomando decisões mais influenciadas pelo ambiente ao seu redor do que por uma
reflexão própria. A consciência eleitoral, portanto, não se resume à decisão
tomada diante da urna: envolve conhecimento, responsabilidade e disposição para
acompanhar a vida pública também entre uma eleição e outra.
Por Gislaine Buosi, advogada e educadora.
PROPOSTA
DE REDAÇÃO: A partir da
leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos
construídos ao longo de sua formação, redija um texto
dissertativo-argumentativo sobre o tema: “Consciência eleitoral na juventude
brasileira: dilemas para a formação política e cidadã”. Apresente proposta
de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu
ponto de vista.