A “nova” corrida
espacial, protagonizada nos últimos dias não só pela missão Artemis II, como também
pela SpaceX, não depende da permissão de qualquer editor ou diretor de um órgão
de comunicação social. Ela vive na ciberesfera e na fragmentação de nichos que,
somados, formam audiências globais que os meios tradicionais já não conseguem
ignorar. Mas é aqui que a exploração do vácuo se cruza com a exploração da
verdade. Muitos olham para o panorama atual das redes sociais – povoado por
trolls, flatearthers e teorias da conspiração – como uma ameaça à ciência.
Refletindo este pensamento, voltou agora a “viralizar” nas redes sociais (tanto
para criticar, como para elogiar, consoante…) um discurso na Assembleia-Geral
da ONU, de setembro de 2022, da então primeira-ministra da Nova Zelândia,
Jacinda Ardern, a defender que a desinformação deve ser tratada como uma “arma
de guerra”. Para ela, a liberdade de expressão sem controlo estatal ou
institucional conduz ao “caos, impedindo a ação coletiva” em “temas como as
alterações climáticas”. Ardern personifica a visão daqueles que acreditam que
apenas as elites benevolentes são capazes de filtrar a realidade para as massas,
além do que a sua tutela é necessária para evitar o desastre. E são tantos que
seguem esta filosofia… Mas a História ensina-nos que, sempre que o Estado tenta
decidir o que são “factos” e “fake news”, ele caminha para o modelo do jornal
Pravda: uma verdade oficial que serve apenas para proteger o poder.
A multiplicação das missões espaciais, como a Artemis II, insere-se em um contexto de avanços
científicos e de busca por soluções para desafios globais. Diante da crise
climática e do esgotamento de recursos naturais, a exploração do espaço surge,
para alguns, como alternativa para a sobrevivência humana. No entanto, essa
perspectiva levanta importantes questões éticas: é razoável investir bilhões em
tecnologia espacial, enquanto problemas urgentes persistem na Terra, como
pobreza, desigualdade e degradação ambiental, provoca debates sobre prioridades
globais? Por um lado, defensores dessas missões argumentam que elas impulsionam
o desenvolvimento científico e tecnológico, gerando inovações que podem
beneficiar a vida no planeta. Por outro, críticos afirmam que a chamada
“corrida espacial” pode desviar a atenção e, em especial, o orçamento para a solução
de problemas imediatos, especialmente a crise climática. Nesse sentido, missões
como a Artemis II não resolvem diretamente o grande desafio ético: a busca pelo
equilíbrio entre o avanço científico e a garantia de um futuro sustentável para
a vida da humanidade na Terra.
Por
Gislaine Buosi, escritora e educadora, parceira da Redigir.
PROPOSTA
DE REDAÇÃO: A partir da leitura dos textos motivadores
seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação,
redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: “Artemis II e o equilíbrio
entre avanço científico e futuro da humanidade”. Apresente proposta de
intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione,
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de
vista.