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RESENHA - MISOGINIA E CRIME DE PRECONCEITO
MODELO UFU - ID: NEZ
ORIENTAÇÕES:
. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar
claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar. Escreva o
título no lugar apropriado na folha de prova.
. Se a estrutura do gênero exigir assinatura, escreva, no lugar da
assinatura: JOSÉ ou JOSEFA. Em hipótese nenhuma escreva seu nome, pseudônimo,
apelido etc. na folha de prova.
. Utilize trechos dos textos motivadores, parafraseando-os. Não copie
trechos dos textos motivadores.
LEITURA:
A misoginia, entendida como forma de preconceito dirigida às mulheres,
atravessa a história das sociedades e assume diferentes configurações conforme
o contexto cultural. Desde a Antiguidade, em obras como as de Aristóteles, a
mulher foi frequentemente associada à inferioridade racional, o que contribuiu
para a consolidação de uma ordem patriarcal. Ao longo dos séculos, essa
estrutura se naturalizou, sustentando desigualdades políticas, econômicas e
simbólicas que ainda persistem. Nesse sentido, a misoginia pode ser
compreendida, em grande medida, como um resíduo histórico de sociedades
organizadas sob a lógica da dominação masculina.
Contudo, limitar o fenômeno apenas ao passado seria insuficiente. No
cenário contemporâneo, novas formas de manifestação emergem, especialmente em
ambientes digitais. Movimentos como o chamado Red Pill ressignificam discursos
antigos, atribuindo às mulheres a responsabilidade por frustrações individuais
e reforçando visões estereotipadas sobre gênero. Tais grupos não criam a
misoginia, mas a atualizam, conferindo-lhe linguagem e alcance compatíveis com
a era das redes sociais.
Sob outra perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman, ao discutir a
modernidade líquida, aponta que relações e valores tornam-se mais instáveis e
frágeis, favorecendo a disseminação de discursos simplificadores e polarizados.
Nesse contexto, preconceitos antigos podem ganhar novas formas e circular com
maior rapidez, especialmente em ambientes digitais pouco regulados. Assim,
tanto heranças históricas quanto dinâmicas contemporâneas contribuem para a
permanência da misoginia, evidenciando a necessidade de reflexão crítica e de
construção de relações mais equilibradas e respeitosas.
Desse modo, está claro que tanto o patriarcado histórico quanto
movimentos contemporâneos misóginos participam de um mesmo processo: a
manutenção de hierarquias de poder baseadas no gênero. Portanto, a misoginia
não deve ser vista como um fenômeno isolado ou recente, mas como uma continuidade
histórica que se reinventa, exigindo análise crítica e enfrentamento constante.
Por Gislaine Buosi, advogada e educadora.
Redija a resenha crítica do texto acima, abordando o tema: A misoginia e
o crime de preconceito. Para isso, considere também o fato de que:
O Senado Senado aprovou [em mar/2026] um projeto de lei que transforma a
misoginia em crime, com tratamento semelhante ao do racismo. A proposta, que
agora segue para análise da Câmara dos Deputados, estabelece penas que variam
de um a três anos para quem praticar, induzir ou incitar discriminação por
misoginia, e de dois a cinco anos para injúria misógina (ofensa à dignidade com
elementos misóginos). Na prática, isso significa que atitudes e discursos de
ódio baseados no gênero feminino podem levar à prisão.
Disponível em: https://www.em.com.br/trends/2026/03/7385299-o-que-pode-ser-considerado-crime-de-misoginia-com-a-nova-lei.html.
Acesso em 1 abr.2026.