De acordo com o Dicionário Oxford, pós-verdade é: um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais”. (...) A explicação da palavra pós-verdade, ainda de acordo com o Oxford, é de que o composto do prefixo “pós” não se refere apenas ao tempo seguinte a alguma situação ou evento – como pós-guerra, por exemplo –, mas sim a “pertencer a um momento em que o conceito específico se tornou irrelevante ou não é mais importante”. Neste caso, a verdade. Portanto, pós-verdade se refere ao momento em que a verdade já não é mais importante como já foi.
Em um ambiente digital marcado pela velocidade, saber ler também significa saber verificar. Notícias, opiniões, imagens e vídeos circulam continuamente, muitas vezes misturados a conteúdos manipulados ou apresentados fora de contexto. Nesse cenário, o letramento digital ultrapassa o domínio das ferramentas: envolve reconhecer fontes, confrontar informações, identificar interesses e avaliar a confiabilidade do que chega às telas. A dimensão do desafio aparece em dados recentes do CGI.br e do NIC.br: 41% dos usuários brasileiros de internet com 16 anos ou mais afirmaram ter contato diário com deepfakes, percentual que chega a 44% entre os jovens de 16 a 24 anos. A mesma pesquisa mostrou que 34% concordam, total ou parcialmente, que não vale a pena verificar se as informações recebidas são verdadeiras ou falsas. Nesse contexto, desenvolver competências para ler criticamente o ambiente digital é também fortalecer a autonomia diante da informação. Mais do que desconfiar de tudo, trata-se de aprender a perguntar: quem produziu esse conteúdo? Em que fonte ele se apoia? Há outras informações que confirmem o que está sendo dito? Essas perguntas ajudam a transformar o usuário da internet de simples receptor em leitor ativo e responsável.
Por Gislaine Buosi, advogada e educadora.
Fonte dos dados: CETIC.BR. Painel TIC: Integridade da Informação 2025. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2026.
COMANDO: A partir da coletânea de apoio e de seus conhecimentos, defenda seu ponto de vista em um ARTIGO DE OPINIÃO. Aborde o tema: “A importância do letramento digital no combate às notícias falsas e à pós-verdade”. Atribua um título ao texto.
O ARTIGO DE OPINIÃO, como o próprio nome já diz, é um texto em que o autor expõe seu ponto de vista a respeito de algum tema polêmico. É um gênero textual que se apropria, predominantemente, do tipo dissertativo. Dá-se o nome de articulista àquele que escreve o Artigo, que é persuasivo - inserido em grandes jornais e revistas, é um serviço prestado ao leitor, com o objetivo de convencê-lo não só a respeito da importância do tema ali enfrentado, como também, e principalmente, da relevância do posicionamento do articulista. São comuns o apelo emotivo, as acusações, o humor, a ironia - tudo baseado em informações factuais.
O texto, geralmente, é escrito na 1ª pessoa, leva título e assinatura.
A estrutura do artigo de opinião, ainda que maleável, procura seguir:
. Introdução, com a apresentação do tema e da tese a ser defendida;
. Desenvolvimento, com as argumentações para a defesa da tese e
. Conclusão, com a reafirmação da tese e a provocação do leitor, encaminhando-o para as próprias reflexões.
ALERTA! Cuidado com as armadilhas da primeira pessoa: não escreva: "eu acho que"; "na minha opinião"; "no meu modo de pensar" etc., porque essas expressões são consideradas armadilhas da primeira pessoa.