Tudo começou por puro interesse. Quando os primeiros
macacos se tornaram amigos, fizeram isso por motivos bem objetivos: ajudar uns
aos outros em lutas contra rivais (no caso dos machos) e cuidar melhor dos
filhotes (no caso das fêmeas). A amizade não passava de uma troca de favores.
Agora pense nos dias de hoje: com você e os seus amigos, não é assim. Você tem
amigos simplesmente porque gosta de estar na companhia deles, certo? Errado.
Você continua fazendo amizades por puro interesse — no caso, alimentar o seu
cérebro com uma substância chamada ocitonina. Na Pré-História, a relação com
estranhos passou a ser necessária. Provavelmente, isso aconteceu no momento em
que grupos de hominídeos começaram a se fixar em uma mesma região, e viver em
grupos cada vez maiores, e então surgiu a forma mais primitiva de amizade. [...]
No mundo atual, para obter comida, basta ir a um restaurante. Dá para fazer isso
sozinho. Mas é muito desagradável, porque o cérebro está condicionado a fazer alianças.
É por isso que procuramos amigos, mesmo que tecnicamente não precisemos deles.
Por Camilla Costa e Bruno
Garattoni
Disponível em: https://super.abril.com.br/comportamento/por-que-fazemos-amigos/.
Adaptado. Acesso em 19 mai.2026.
COMANDO: A partir do material de apoio, escreva um MONÓLOGO sobre o tema: AMIZADE. Explore não só os sentimentos que uma verdadeira
amizade pode provocar, como também a diferença e o impacto que um bom amigo
pode fazer em nossa vida.
Só
para lembrar...
O monólogo é um gênero textual e
também um recurso dramático em que apenas uma personagem fala, expondo
pensamentos, sentimentos, reflexões ou acontecimentos sem a participação direta
de outros interlocutores. É um texto reflexivo muito utilizado no teatro, na literatura, no cinema
e até em produções audiovisuais. Geralmente, explora temas comuns, a fim de
provocar o leitor a pensar sobre questões sociocomportamentais. Muito embora o
gênero não comporte enredo/história, é possível haver algum fragmento
narrativo, a partir do qual são feitos apontamentos mais subjetivos, que
revelam as percepções do autor do monólogo.
O que se avalia num monólogo é a
capacidade de se trazer à tona os apelos de um eu-interior em sintonia ou em choque
com o mundo contemporâneo, por vezes caótico em razão dos desequilíbrios
sociais (pobreza, desigualdade, avareza, corrupção etc.) e pessoais (egoísmo,
indiferença, ganância etc.). No monólogo, o que importa é o registro da
sofisticação e da intensidade do pensamento.
ALERTA! Cuidado com as
armadilhas da primeira pessoa: Ainda que você desenvolva um texto de caráter
intimista, não escreva: “eu acho que”; “na minha opinião”; “no meu modo de
pensar” etc., porque essas expressões são consideradas armadilhas da primeira
pessoa.