COMANDO:
Imagine que você, ao final da leitura do material
de apoio abaixo, decida escrever um COMENTÁRIO CRÍTICO sobre o tema: “A
DESINFORMAÇÃO NA ERA DA INFORMAÇÃO”.Nesse comentário você deverá
registrar uma síntese do assunto e posicionar-se sobre ele.
TEXTO
I
A desinformação, entendida como a disseminação proposital de conteúdos
falsos ou enganosos com a finalidade de causar dano público ou obter vantagens,
não é algo novo. Contudo, na atual Era da Informação, marcada pela velocidade e
pelo alcance das redes digitais, a desinformação tornou-se um dos principais
desafios das sociedades democráticas. A facilidade de produzir e compartilhar
conteúdos faz com que boatos, rumores e fake news atinjam milhões de pessoas em
poucos minutos. Esse processo compromete o debate público, pois muitas decisões
passam a ser tomadas com base em dados distorcidos ou falsos. Em períodos
eleitorais, o impacto pode ser ainda maior: campanhas de desinformação são
capazes de manipular opiniões e enfraquecer a confiança nas instituições. No
Brasil, por exemplo, durante as eleições de 2018, circularam amplamente nas
redes sociais notícias falsas sobre candidatos e sobre o funcionamento das
urnas eletrônicas, o que contribuiu para aumentar a desconfiança de parte da
população em relação ao processo eleitoral. Além disso, conteúdos enganosos
podem estimular conflitos sociais, alimentar preconceitos e gerar medo ou
indignação injustificados. Desse modo, o problema ultrapassa o campo da
comunicação e passa a afetar diretamente a convivência democrática. Para
enfrentar esse cenário, é fundamental investir em educação midiática, ensinando
os cidadãos a verificar fontes, analisar conteúdos e desconfiar de informações
sensacionalistas. Também é importante que plataformas digitais e veículos de
imprensa ampliem mecanismos de checagem e transparência. Por fim, o compromisso
de cada usuário ao compartilhar informações é decisivo. Combater a desinformação,
portanto, é uma tarefa coletiva e permanente, essencial para preservar o
diálogo público e o funcionamento saudável da democracia.
Por Gislaine Buosi.
TEXTO
II
Se alguma vez a informação já foi escassa, hoje a situação é oposta.
Vive-se dentro de uma infosfera, que produz constantemente uma grande
quantidade de informações, de forma que o próprio indivíduo parece não dar
conta da carga informacional disponibilizada diariamente ao seu aparato
cognitivo. Não bastasse a explosão informacional, que leva o volume de
informações a um nível muito mais difícil de acessar e interpretar, ainda se
soma a isso a mistura de informação verídica com informações e dados falsos,
propagados muitas vezes de forma negligente e até intencional. Dessa forma, a
atual emergência do fenômeno da desinformação sugere que a leitura e interpretação
perdeu seu poder de criticidade, gerando uma mecanização no comportamento dos
indivíduos acerca da informação, de modo que acabam se comportando como
replicadores de uma “poluição informacional”.
O COMENTÁRIO CRÍTICO pertence ao discurso jornalístico opinativo.
Costuma ser mais enxuto do que o Artigo de Opinião, e diferencia-se dele
porque, em geral, o Comentário parte de um texto-base – o que, a rigor, não
acontece com o Artigo. O gênero Comentário pressupõe um diálogo entre dois ou
mais textos.
É preciso esclarecer que “criticar” significa fazer considerações
positivas e negativas acerca de um fato/evento. Isso se estende ao comentário –
uma peça crítica por natureza.
Como
fazer um COMENTÁRIO?
Ainda que a estrutura textual de um comentário seja bastante flexível, é
preciso que o comentarista, depois de lido atentamente o texto-base, mencione o
nome do autor do texto-base e faça uma síntese do assunto. Por exemplo: O professor Carlos de Tal afirmou, em
entrevista ao Jornal XXX, da quinta-feira (19/2), que a redução da maioridade
penal é imprescindível no Brasil do século 21...
Em seguida, o comentarista posiciona-se (tese): Ocorre que, a meu ver, o colega está equivocado, uma vez que a redução
da maioridade penal não é o mecanismo eficiente para a diminuição da
criminalidade, conforme apontam estudos...
Logo após, há, efetivamente, o comentário – ou seja, o registro das
percepções do comentarista, que pode se valer não só do julgamento dos fatos
expostos, mas também das respectivas projeções/consequências.Os comentários amadores/informais/vagos
(gostei; não gostei; concordo; não concordo; legal; bem lembrado etc.) são
registros típicos da fala (e não da escrita) e, sozinhos, depreciam o texto. O
comentário é, geralmente, escrito na primeira pessoa do singular e é assinado.