Proposta completa
RECONHECIMENTO FACIAL
MODELO ENEM
ID: IMY
Texto I
O debate sobre reconhecimento facial no Brasil foi acalorado no ano de 2021, sobretudo na área de segurança pública. A tecnologia já vem sendo implementada ou utilizada por vinte estados das cinco regiões do país, e tem sido objeto de muitas promessas pelo setor privado e pela administração pública, que vão desde a prevenção de crimes até a identificação de crianças desaparecidas.
O que é o reconhecimento facial e como ele funciona? Trata-se de uma tecnologia de identificação biométrica realizada a partir da coleta de dados faciais, que podem ser provenientes de fotografias ou segmentos de vídeos. Esses sistemas automatizados extraem representações matemáticas de traços faciais específicos, como a distância entre os olhos ou o formato do nariz, produzindo o que é chamado de padrão facial. É no processo de comparação desse padrão facial a outros padrões faciais contidos na base de dados prévia do sistema que a tecnologia identifica indivíduos desconhecidos, como é o caso das câmeras de monitoramento nas ruas, ou autentica pessoas conhecidas, a exemplo do desbloqueio de celulares com Face ID e da validação de contas bancárias em smartphones. O reconhecimento facial tem sido apresentado por parlamentares, governadores e policiais como uma verdadeira bala de prata para uma série de soluções no campo da segurança pública no país. Sobretudo com o discurso de uma alegada celeridade nas atividades policiais e maior precisão para o cumprimento dos mandados de prisão que permanecem em aberto. (...)
O reconhecimento facial tem sido uma ferramenta capaz de reproduzir e potencializar opressões já presentes na sociedade, sobretudo nas forças de segurança. (...) Elementos técnicos, somados a fatores econômicos, históricos e culturais, afetam sobremaneira minorias étnicas e raciais e pessoas trans. As taxas de acerto na identificação/autenticação por reconhecimento facial estão condicionadas por diferentes fatores, e envolvem iluminação, perspectiva, sombras, expressões faciais, e até mesmo a resolução das imagens e vídeos.
Bianca Kremer. Disponível em: https://medium.com/codingrights/reconhecimento-facial-no-brasil-uma-perspectiva-de-ra%C3%A7a-e-g%C3%AAnero-9fe027c3a176. Adaptado. Acesso em 24.abr.2024.
Texto II
Negros e asiáticos são presos injustamente com frequência por conta de erros nos algoritmos
Uma análise dos softwares, realizada pelo NIST (National Institute of Standards and Technology) identificou uma diferença entre 10 a 100 vezes mais de falsos positivos em fotos de negros e asiáticos em comparação com brancos. Há um movimento internacional que reivindica o fim do reconhecimento facial, tecnologia impregnada com inúmeros vieses que reforçam o racismo e a discriminação de diversas formas. Muitas vezes, um rosto é confundido com outro, e o erro pode acontecer em diferentes etapas: na coleta dos dados, no processamento, no resultado e também na análise das informações. Casos em que os erros dos softwares de reconhecimento facial prendam pessoas negras injustamente são bastante comuns – em Detroit, em maio de 2022, dois homens negros foram presos equivocadamente por falhas nesse sistema. (...) O mapeamento 3D com tecnologia blockchain que está sendo realizado na favela da Rocinha, no Rio, também gera preocupações sobre a privacidade de dados dos moradores. “O debate sobre segurança não furou a bolha para chegar na favela, daí vemos casos como esses acontecendo”, afirma Nina Da Hora, cientista da computação e complementa no Brasil, falta transparência na coleta de dados. (...) “O Brasil é um dos países com a maior base de dados disponíveis, mas falta transparência na coleta e falta segurança”. É no debate que está a solução para o uso indevido tanto do reconhecimento facial, quanto de outras tecnologias de inteligência artificial que reforçam o racismo. As empresas, por sua vez, tratam o algoritmo como parte do negócio, mas não dão acesso aos processos de como isso é feito. “Se a gente [cientistas e pesquisadores] soubesse de que maneira um algoritmo de uma rede social prejudica alguém, poderíamos desenvolver fases de pesquisas para combater o problema, mas muitos estudos ficam com as Big Techs”, pontua Nina.
Disponível em: https://revistaraca.com.br/o-sistema-de-reconhecimento-facial-reforca-o-racismo-e-a-discriminacao-sob-variadas-formas/. Adaptado. Acesso em 24.abr.2024.
Texto III
