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[G4T] MODELO FAMERP - INTOLERÂNCIA E CULTURA DO CANCELAMENTO

FAMERP

INTOLERÂNCIA E CULTURA DO CANCELAMENTO

MODELO FAMERP

ID: G4T



Texto I

Cultura do cancelamento é um termo bastante recente, conhecido e discutido principalmente entre os mais jovens nas redes sociais. A expressão é utilizada para denominar um comportamento que, em sua essência, busca por justiça social, mas, na verdade, acaba realizando uma espécie de linchamento virtual dos indivíduos que fazem ou falam algo politicamente incorreto.

O professor e sociólogo Marco Antônio de Almeida, do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, explica que, muito embora, esse comportamento deriva de causas bastante justas e bem-intencionadas, infelizmente caminhou para a intolerância. “A cultura do cancelamento deriva do politicamente correto, que demanda uma maior percepção e sensibilidade acerca das questões relacionadas a classes sociais, gênero, etnias etc. É uma causa muito justa, porém que acabou partindo para uma política de tolerância zero aos erros, e isso leva a pedidos de demissões, a corte de financiamentos, e cancela o indivíduo da vida pública”.

Almeida diz que, apesar das boas intenções por trás do cancelamento virtual, o comportamento prejudica o debate democrático. “A cultura do cancelamento é equivocada, uma vez que não permite o livre debate de ideias, algo saudável para a democracia.”

COLTRI, Flávia. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/cultura-do-cancelamento-promove-intolerancia-ao-buscar-justica/, adaptado.
Acesso em 27.ago.2021.



Texto II

Pergunta: As redes sociais mudaram a forma como as pessoas protestam e a exigência de transparência. Você é um cético sobre esse “ativismo de sofá” e ressalta que a Internet também nos entorpece com entretenimento barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do povo?

Resposta: A questão da identidade foi transformada de algo preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade- você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.

Trecho de entrevista a Zigmunt Bauman, em 8-1-2016, por Ricardo de Queirol. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/30/cultura/1451504427_675885.html, adaptado.
Acesso em 27.ago.2021.



Texto III

Muito conhecidas também como um tribunal, as redes sociais têm internautas que, cada vez mais, julgam os comportamentos das pessoas e marcas. Tal atitude ganhou um nível tão alto de posicionamento, que o movimento social recebeu o nome de cultura do cancelamento. Essa ação tem gerado crises nos “cancelados”, que precisam lidar com essa situação e reduzir os prejuízos que isso possa causar. (...) Os riscos e prejuízos causados em uma marca ou na vida de uma pessoa, seja ela uma figura pública ou não, são grandes. Um caso que tomou grandes proporções negativas, tanto midiática quanto financeira, foi o de uma digital influencer que, após contrair o vírus da Covid-19 e ser curada, fez uma festa com amigos em meio à pandemia e isolamento social. Recebendo uma enxurrada de críticas, ela ficou afastada das redes sociais por quase três meses, perdeu milhares de seguidores e teve um prejuízo de mais de R$2 milhões com a suspensão de parceria com grandes marcas, que não quiseram mais associar sua imagem com a da influencer.

Disponível em: https://fizzing360.com.br/cultura-cancelamento-que-e-quais-riscos-marca/.

Acesso em 27.ago.2021.



Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:


“Cultura do cancelamento: uma simples mostra de intolerância ou um mal necessário aos comportamentos sociais reprováveis?”