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[GWR] EM - DISSERTAÇÃO - MODELO UERJ - ARTE HUMANIZADORA - A PARTIR DE "NÃO ME ABANDONE JAMAIS"

UERJ

ARTE HUMANIZADORA

DISSERTAÇÃO MODELO UERJ

a partir da obra literária “NÃO ME ABANDONE JAMAIS”, de Kazuo Ishiguro

ID: GWR





A Universidade Estadual do Rio de Janeiro selecionou a obra “Não me abandone jamais”, de Kazuo Ishiguro, obra vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2017, como base para o tema da Redação.


Sinopse da obra: Kathy, Tommy e Ruth são clones criados para doar órgãos. Tendo esse cenário de ficção científica por pano de fundo, e o triângulo amoroso como gancho, Kazuo Ishiguro fala de perda, de solidão e da sensação de que às vezes temos de já ser "tarde demais". (...) Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir" (morrer). Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

LEONARDI, Cláudia. Disponível em: https://www.maeliteratura.com/2017/11/clube-da-leitura-cia-ilimitada-nao-me.html.

Adaptado.

Acesso em 11.jul.2022.




LEITURAS:

A arte e a humanização do homem: afinal de contas, para que serve a arte?

Que importância há em conhecer Mozart ou Leonardo da Vinci, em ser sensível e criativo para o mundo do trabalho, na época dos computadores e satélites? Ou que importância tem a música erudita, o balé clássico ou a pintura cubista, para uma multidão de analfabetos? Cultura inútil! No entanto, a arte sobrevive - inutilmente ou não, todo mundo ouve música, dança, assiste a filmes e se preocupa em pendurar nem que seja a gravura de um calendário na parede. Do Renascimento até hoje, artistas são consagrados e se transformam em ídolos. Os meios de comunicação de massa reservam um espaço significativo para as manifestações artísticas. Por quê? Para quê?

Por mais que se imponha como atividade dispensável, a produção artística não se justifica somente como luxo e decoração para as elites. Prova disso são o rádio e a televisão que, através da veiculação de música, novelas e filmes, ocupam a maior parte das horas de lazer da classe trabalhadora. Então, para que serve a arte? Se todas as respostas ainda não convenceram, a prática teima em contradizer o mito da inutilidade. O problema que se coloca então é o de encontrar a resposta certa. É preciso fazer uma limpeza no terreno da arte, no processo histórico de sua construção, na obra enquanto mercadoria, no consumo privado, nos desvios provocados pelo modo de produção de nossa sociedade e pelos valores (ou anti-valores) que produziu e produz. (...) Não há possibilidade de escolha entre "o pão de cada dia" e o mais belo espetáculo artístico para a maioria daqueles que, tendo garantida sua subsistência, têm recursos "sobrando" para investir no deleite do espírito. Está dada a sentença!

E agora? Voltamos ao começo: todas as aparências reforçam o papel secundário da arte, mas ainda não dão conta de explicar sua existência. Precisamos mergulhar nestas aparências que se manifestam na vida real dos homens, no seu cotidiano, para encontrar respostas mais convincentes que possam mostrar ou quem sabe até ampliar a importância da arte na existência humana.

TROJAN, Rose Meri. Disponível em: https://www.scielo.br/j/er/a/yPNx4p4rWhFFGzXqCff3T5j/.

Acesso em 28.jul.2022.



“A arte existe porque a vida não basta.” (Ferreira Gullar, poeta modernista brasileiro)



Tommy se pusera então a relatar tudo. Mas, antes que chegasse à metade da história, ela o interrompera e começara a falar. Conhecia uma porção de alunos que durante um tempão haviam tido muita dificuldade em ser criativos: pintura, desenho, poesia, nada dava certo para eles, e isso durante muitos e muitos anos, contou ela. Aí, um belo dia, viravam uma página e desabrochavam. Era muito possível que Tommy fosse um deles. (...) Nós selecionávamos o que havia de melhor e organizávamos mostras especiais. No final dos anos 70, no auge da nossa influência, montávamos eventos enormes por todo o país. Compareciam ministros, bispos, tudo quanto é tipo de gente famosa aparecia para nos prestigiar. Faziam discursos, concediam verbas. ‘Olhem, aqui está!’, nós podíamos dizer. ‘Olhem só toda esta arte! Como é que vocês ousam dizer que essas crianças não são inteiramente humanas?’ (...) Agora, meu jovem, me explique por que minha Galeria ajudaria a reconhecer quem está de fato apaixonado?” “Porque mostraria para a senhora como nós somos”, disse Tommy. Madame interrompeu-o de repente: “sua arte revela seu eu interior, claro! É isso, não é? Porque a sua arte mostra a sua alma!” (...) “Está bem”, disse ela. “Vamos prosseguir. (...) Você estava dizendo algo a respeito da sua arte. Como a arte desnuda a alma do artista.” (...) Quando estava conversando com a Marie-Claude. Você disse que era porque a arte revelaria como vocês eram. Como vocês eram por dentro. Foi isso que você disse, não foi? Bem, pois saiba que não está muito distante da verdade. Nós levávamos seus trabalhos porque achávamos que eles revelariam a alma de vocês. Ou, para esclarecer melhor a questão, fazíamos isso para provar que vocês tinham uma alma.”

Kazuo Ishiguro

Não me abandone jamais. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.



PROPOSTA DE REDAÇÃO: A partir da leitura do romance “Não me abandone jamais” e em suas próprias reflexões, escreva uma redação argumentativo-dissertativa, em prosa, com 20 a 30 linhas, sobre o seguinte tema: "Arte – decoração e entretenimento ou estratégia para a reumanização do indivíduo contemporâneo?"

 

 

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