JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

ESTILO ENEM

ID: DM5


A partir do material de apoio e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema: “A questão dos justiceiros no Brasil do século XXI.”. Apresente, ao final, uma proposta de intervenção social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de maneira coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.


Texto I

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Texto II

Um justiceiro é alguém que, ocorrendo um crime, e tomado por sentimentos de injustiça em relação às ocorrências, decide agir à margem da lei, procurando punir os autores do crime. A essa situação, aplicam-se os termos autojustiça e vigilantismo. Em linguagem popular, designa-seː fazer justiça pelas próprias mãos. Os autores de tais atos podem ser civis ou agentes da autoridade (entre outros) e podem estar ou não ligados de alguma maneira à vítima ou vítimas desse crime (ou eles próprios serem vítimas do crime). Acontecimentos desses ocorreram durante a Lei de Lynch, nos Estados Unidos do século XIX e parte do século XX; nesses casos, foram multidões a encetar essas perseguições. Tal comportamento é considerado reprovável judicialmente (e, na maioria das sociedades, é considerado, também, um ato moralmente reprovável), e, portanto, considerado um crime como outro qualquer, punível à luz do Direito. Não deve ser confundido com autodefesa e não é, de resto, uma transgressão muito comum.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Justiceiro


Texto III

(...) o senso de injustiça é muito arraigado em nós. Pesquisas com diversas espécies animais mostram que essa noção tem origens antigas na escala evolutiva: de ratos a gorilas, punir infrações parece ser útil há muitas eras. Noções de dano, deslealdade e desobediência sinalizam em nós, com muita força, as sensações de certo e errado, o que, automaticamente, dá origem a desejos de vingança ou reparação. Porém, ser civilizado significa exatamente conseguir conter tais impulsos primitivos, deixando às autoridades superiores a efetivação da justiça. Quando as pessoas sentem que podem – ou que até devem – tomar de volta a possibilidade de usar a força física, com a alegação de que estão fazendo justiça, a mensagem transmitida é que não se crê mais no pacto social (...); elas considerarem que seu senso de justiça não está satisfeito e resolvem agir por si mesmas. A gravidade está no fato de isso indicar uma situação de anomia, na qual os fundamentos da sociedade entram em colapso, levando à ausência de regras, e, consequentemente à incapacidade de adequação aos padrões de conduta. Forma-se um círculo vicioso, no qual as pessoas se sentem injustiçadas, não creem na ação do Estado e, por isso, rompem o pacto social, o que gera mais injustiça. É um dos poucos momentos em que não há muita margem para debate: tanto quem está à esquerda como quem está à direita concorda que a única saída é o resgate da legitimidade do Estado.

https://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/daniel-martins-de-barros/justica-com-as-proprias-maos/, com ajustes.